Como estudar sozinho e aprender de verdade: o método que a ciência aprova
Reler e grifar dão sensação de estudo, mas ensinam pouco. Veja os dois métodos mais eficazes segundo a ciência para estudar sozinho e lembrar do que aprendeu.
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Muita gente que cresceu sem referência acha que não nasceu para estudar. Lê, relê, grifa a apostila inteira de amarelo, e na hora da prova ou da entrevista de emprego, nada vem à cabeça.
Na maioria das vezes, o problema não é a cabeça. É o método. E isso é uma ótima notícia, porque método se troca.
Eu mesmo não gostava de ler. Demorei para descobrir que existe um jeito certo de aprender, e que ele está longe de ser o que a gente costuma fazer.
Por que reler e grifar enganam
Quando você relê um texto, ele parece familiar. Essa familiaridade dá a sensação de “eu já sei isso”. Só que reconhecer um texto é muito diferente de conseguir lembrar dele sozinho.
Em 2013, um grupo de psicólogos liderado por John Dunlosky analisou as técnicas de estudo mais usadas e classificou cada uma pela eficácia. Grifar e reler ficaram entre as de baixa utilidade. Duas técnicas ficaram no topo: testar a si mesmo e espaçar o estudo.
Método 1: teste a si mesmo
Em vez de reler, feche o material e tente lembrar. Escreva num papel tudo o que lembra, responda perguntas, explique em voz alta como se estivesse ensinando alguém.
Os pesquisadores Henry Roediger e Jeffrey Karpicke testaram isso em 2006. Um grupo de estudantes releu um texto várias vezes; outro leu uma vez e depois praticou lembrar do conteúdo. Dias depois, quem praticou lembrar se saiu bem melhor no teste.
O esforço de buscar a informação na memória é o que a fixa. Se está difícil lembrar, é sinal de que está funcionando.
Como fazer na prática:
- Depois de ler uma parte, feche e escreva três ideias principais com as suas palavras.
- Transforme os títulos do material em perguntas e responda sem olhar.
- Faça exercícios e provas antigas, mesmo antes de se sentir pronto.
- Explique o assunto em voz alta, como se fosse para alguém de 12 anos. Onde você travar é onde precisa estudar mais.
Método 2: espalhe o estudo em vários dias
Estudar seis horas num domingo rende menos do que estudar uma hora em seis dias diferentes, mesmo somando o mesmo tempo.
Uma grande análise de mais de 300 experimentos, publicada em 2006 por Nicholas Cepeda e colegas, confirmou esse efeito: espaçar as revisões ao longo do tempo melhora muito a memória de longo prazo.
Como fazer na prática:
- Estude um assunto hoje e marque revisões para os próximos dias. Um exemplo simples: revisar no dia seguinte, três dias depois e uma semana depois.
- Na revisão, use o método 1: teste a si mesmo, não releia.
- Misture assuntos ao longo da semana em vez de passar dias inteiros num só.
Como montar uma rotina de estudo sozinho
Saber o método não adianta se você não estuda. Algumas regras simples ajudam:
Defina um objetivo claro. “Estudar inglês” é vago. “Conseguir manter uma conversa simples em inglês até março” dá direção.
Estude no mesmo horário e lugar. O cérebro associa o contexto à ação, e com o tempo sentar naquele lugar já puxa o estudo. Eu explico isso no artigo sobre como criar hábitos sem depender de força de vontade.
Faça sessões curtas. De 25 a 50 minutos de foco, com uma pausa curta depois. É mais fácil começar uma sessão de 25 minutos do que uma tarde inteira.
Deixe o celular longe. Em outro cômodo, se possível. Notificação é o maior inimigo de quem estuda sozinho.
Não espere vontade. Nos dias difíceis, faça a versão mínima: dez minutos. Se travar sempre na hora de começar, leia o artigo sobre como parar de procrastinar.
Você não precisa de professor para aprender
Nunca foi tão possível aprender sozinho. Existem cursos gratuitos, vídeos de professores excelentes e livros acessíveis em biblioteca pública. O que faltava para muita gente, como faltou para mim, era saber como estudar.
Comece hoje com uma coisa só: escolha um assunto, estude 25 minutos e, no fim, feche tudo e escreva o que lembra.
Fontes
- Dunlosky, J. et al. (2013). Improving students’ learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest, 14(1).
- Roediger, H. L.; Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3).
- Cepeda, N. J. et al. (2006). Distributed practice in verbal recall tasks: a review and quantitative synthesis. Psychological Bulletin, 132(3).
Perguntas frequentes
Qual é o melhor método para estudar sozinho?
Segundo uma grande revisão publicada em 2013, os dois métodos mais eficazes são testar a si mesmo (tentar lembrar sem olhar) e espaçar o estudo ao longo de vários dias, em vez de estudar tudo de uma vez.
Grifar e reler o material funciona?
Funciona pouco. Essas técnicas dão a sensação de que você está aprendendo porque o conteúdo parece familiar, mas a mesma revisão as classificou como de baixa utilidade para lembrar no longo prazo.
Quanto tempo por dia devo estudar?
Não existe um número mágico. Sessões curtas e frequentes, de 25 a 50 minutos, repetidas ao longo da semana, costumam render mais do que uma maratona de horas num dia só.
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Escrito por Lucas Oldmen, editor do Energia da Prosperidade. Empresário em Belo Horizonte. Veio de família humilde e virou a chave aos 27 anos estudando comportamento humano. Edita o Energia da Prosperidade para que outras pessoas não demorem o tanto que ele demorou. Sobre o site.
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